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Porque é que já não temos apenas um perfume?

Porque é que já não temos apenas um perfume?

Num passado não muito distante, o perfume era comercializado, essencialmente, como um acessório decorativo. O foco recaía no design do frasco e no prestígio da marca. Regra geral, uma pessoa possuía apenas um frasco que durava um ano, servindo como a sua "assinatura" pessoal.

Hoje, a mentalidade de "colecionador" encara o perfume como uma utilidade funcional. As grandes coleções permitem que os indivíduos tratem as fragrâncias como se fossem uma playlist. Em vez de perguntarmos "Que perfume quero ter?", perguntamos agora: "Como me quero sentir?" ou "Quem preciso de ser hoje?".

Playlist Olfativa

Uma coleção vasta funciona como um termóstato emocional. Como o bolbo olfativo está diretamente ligado à amígdala e ao hipocampo (os centros cerebrais da emoção e da memória), o aroma é a forma mais rápida de alterar o estado interno de alguém.

  • Busca de Dopamina: Trocar de perfume frequentemente proporciona uma "dose de novidade" que combate a habituação sensorial;
  • Gestão de Stress: Os colecionadores utilizam notas específicas (lavanda, sândalo ou almíscares) como ferramentas de grounding para gerir a ansiedade em ambientes onde a pressão é alta;
  • Âncoras de Energia: Citrinos vibrantes ou especiarias picantes são usados como "interruptores" psicológicos para aumentar a produtividade ou o foco.

O Ritual da Escolha

Para o colecionador, o ato de escolher um perfume numa coleção de diferentes perfumes é um ritual de mindfulness. Requer um momento de autoanálise: "Como me sinto agora e do que é que o meu ambiente precisa?". Isto eleva o perfume de uma etapa passiva de higiene para uma prática ativa de autoconhecimento.

Mais do que um fenómeno de consumo, o crescimento das coleções representa a democratização do bem-estar olfativo, onde o aroma é utilizado como uma ferramenta ativa de equilíbrio emocional.